Volkswagen Passat TDI 150 PS Sport

At√© agora, este ano, a Volkswagen j√° registrou 5.373 unidades do Passat. Apenas a Ins√≠gnia est√° a acompanhar o ritmo (5.175), com o trio premium de seguidores A4, 3 Series e Classe C (A4, 3 Series e Classe C). 508 e Mondeo j√° est√£o muito atrasados, com metade das matr√≠culas que o carro Volkswagen, enquanto o C5 da Citro√ęn tem apenas 600 unidades registadas este ano, sendo uma sombra do que veio a significar no nosso mercado.

Assim, enquanto o segmento est√° em perigo em nosso mercado (nenhum de seus representantes est√° entre os 20 carros mais vendidos), as vendas continuam a apoiar o Passat, que levou o bast√£o do comando anos atr√°s para n√£o largar.


Curiosamente, o Passat, apesar de j√° ter os seus anos no topo, manteve a sua posi√ß√£o de dom√≠nio at√© ao final da vida √ļtil da gera√ß√£o anterior, para ser renovado para este ano com uma nova plataforma e muitas novidades que o colocam como uma alternativa sensata aos carros "aspiracionais". Mas, para al√©m de tomar como certo que √© uma excelente ferramenta de transporte, oferece mais alguma coisa? Passamos uma semana com ele para descobrir, antes de Dani lhe contar sobre uma experi√™ncia de condu√ß√£o de longa dist√Ęncia com ele em uma funcionalidade separada.

Desenho

Esperar grandes novidades estéticas no Passat foi como esperar ver Pablo Alboran fazendo um remix com Pit Bull enquanto David Guetta faz os acordes: Improbable.

A equipa de Wolfsburg seguiu o mesmo caminho já conhecido na empresa: criar um carro imediatamente reconhecível como um Volkswagen, como um Passat para ser mais específico, valorizando o trabalho "fino" dos detalhes, o cuidado com o ajuste e o jogo com pequenos ornamentos.


Assim, ap√≥s este ponto de partida, o carro come√ßa com uma frente marcada pela horizontalidade das suas linhas, dominada por uma grelha que vai para os far√≥is. Esse conjunto de largura extra √© combinado com as propor√ß√Ķes do carro (marginalmente mais curto do que antes, mas mais largo e mais baixo) para "atir√°-lo mais ao ch√£o" e dar uma sensa√ß√£o de "mais pot√™ncia".

A linha lateral √© tipicamente Passat. Tem uma asa dianteira marcada com o m√ļsculo que abra√ßa a roda, a partir do qual uma linha de estilo ascendente que corre ao longo de todo o corpo apenas √† altura dos puxadores das portas. Esta linha brinca com um excelente trabalho em chapa: a parte que est√° acima dela, que faz o ombro, √© c√īncava, refletindo a luz, enquanto o fundo cria uma forte sombra.

Particularmente not√°vel √© o raio desta linha de estilo. Sem querer entrar no jogo da Volkswagen de prestar demasiada aten√ß√£o a estes detalhes (porque no final √© o todo que realmente importa), a verdade √© que mesmo os olhos menos treinados v√£o notar que o raio √© curioso, o que √© um dos mais baixos vistos na ind√ļstria, demonstrando o processo de produ√ß√£o trabalhado e controlado do carro, e que lhe d√° aquele toque de "n√£o sei porqu√™, mas d√°-me a sensa√ß√£o de bem feito, de qualidade".

O Pilar C √© mais fino do que antes. O corte da janela da porta traseira segue as formas t√≠picas do Passat, e √© inconfund√≠vel, mas a queda do teto, a altura do mesmo e a espessura do pilar C acima mencionado fazem com que o carro tenha um toque din√Ęmico extra. Curioso tamb√©m √© como os arcos dos arcos das rodas s√£o c√īncavos, e n√£o rectos, como √© t√≠pico em qualquer carro, brincando com a luz e querendo marcar mais a posi√ß√£o das rodas.


Sem muito mais história ou ornamento chegamos à retaguarda, onde a porta da cauda e os faróis jogam em estilo alisado lançado pelo Phaeton há alguns anos atrás, e onde novamente dominam as linhas horizontais, mesmo nos gráficos das luzes traseiras, para voltar a enfatizar a largura e a sensação de "deitado na estrada".

Em suma, n√£o √© um carro ousado, chocante ou cativante. Isso n√£o te faz virar a cabe√ßa, o que n√£o √© ajudado pelo s√©rio esquema de cores escolhido. √Č evidente que o cliente t√≠pico destes carros n√£o est√° √† procura disso, por isso achamos que esta √© uma escolha sensata. Al√©m disso, o ajuste entre pain√©is, o conjunto de raios nas diferentes partes (ver como nasce a costela de estilo na asa dianteira, por exemplo, ou como esta est√° alinhada com o ajuste microm√©trico entre a porta traseira, asa traseira e farol), fazem com que voc√™ tenha aquela sensa√ß√£o, como eu disse acima, de "carro bem executado no plano de estilo".

Embora bem executado, não é um carro que te fará virar a cabeça para olhar para ele duas vezes enquanto conduzes.

De qualquer forma, por mais bem feito que seja, ainda √© um carro "ningu√©m vai gostar", mas duvido que algu√©m o compre pela sua apar√™ncia. Nesse sentido, a Ins√≠gnia, a segunda aluna da classe do segmento D, embora esteja no mercado h√° anos, acho que ainda bate por ser ousada, ousada, diferente, din√Ęmica...

Interior

E se por fora o Passat "ainda √© um Passat", por dentro √© algo semelhante. O plano diretor de design de interiores √© o mesmo da √ļltima gera√ß√£o, convenientemente atualizado para as novas tecnologias.


As duas maiores novidades nesta frente provêm do novo elemento de acabamento visual, sob a forma de uma ventilação falsa que liga as duas saídas de ar à frente do passageiro, que serve como uma quebra visual entre a parte superior e inferior do tablier, e o novo conjunto de instrumentos totalmente digital, que continua a espalhar-se por cada novo produto VAG que aparece, e que eventualmente irá colonizar todos os segmentos.

Há espaço para um relógio analógico clássico no centro do painel de instrumentos, mas caso contrário, não há nada de surpreendente na execução ou no design, mantendo o toque funcionalista que domina a Volkswagen em todos os aspectos da vida.

O que representa uma evolu√ß√£o √© a sec√ß√£o de materiais. N√£o porque antes eram maus, mas agora h√° mais espa√ßo para pl√°sticos macios em grande parte do painel (apenas a consola central √© poupada na sua parte inferior). H√° menos bot√Ķes espalhados pelo carro, e o novo sistema de infoentretenimento, que estreamos no Golfe h√° 7 anos, continua a evoluir para melhor. √Č t√°ctil (embora o sistema de comando de voz funcione muito bem), quase n√£o tem brilho do sol e n√£o se perde, mesmo que lhe toque muito.

O interior segue o típico desenho da Volkswagen, executado com bons materiais e integrando o sensacional painel de instrumentos digital.

Os lugares da frente s√£o uma alegria. Na unidade de teste tivemos as ergon√īmicas que s√£o opcionais em outros aviamentos, com aquecimento, ventila√ß√£o e massagem. N√£o consigo pensar em um lugar melhor para passar longas horas de trabalho na estrada, pois eles seguram bem o corpo, s√£o "apenas" duros o suficiente para n√£o te cansar, e eles te pegam na posi√ß√£o ideal. A ventila√ß√£o, especialmente nestes dias de ver√£o, √© √≥tima para evitar a transpira√ß√£o nas costas. A massagem, no entanto, n√£o tem muito sucesso, actuando apenas com a almofada insufl√°vel do sistema de apoio lombar, insuflando-a at√© ao topo e deflacionando-a, o que n√£o me parece ser a melhor forma de cuidar das minhas costas. Tentei um par de vezes e n√£o repeti.

O espa√ßo frontal e a posi√ß√£o de condu√ß√£o s√£o perfeitos, assim como a visibilidade, n√£o h√° mais nada a dizer aqui. O mostrador do rel√≥gio? Est√° com √≥ptimo aspecto. VAG diz que a do Passat √© uma variante mais barata do que a usada no Hurac√°n da Lamborghini e usada no Audi TT tamb√©m. N√£o se consegue ver a diferen√ßa de qualidade (na minha opini√£o), e penso que √© uma √≥ptima ideia devido √† quantidade de informa√ß√£o que pode ser vista. O navegador, na sua posi√ß√£o tradicional, √© um pouco baixo, por isso ser capaz de o ter repetido atr√°s do volante √© muito bom. √Č claro que voc√™ tem que aprender bem todas as op√ß√Ķes e ter os menus sob controle, em vez de brincar com a caixa na estrada, ou voc√™ vai se perder. √Č f√°cil de aprender, √© tudo muito intuitivo, e em dois dias voc√™ ter√° isso na m√£o, mas repito: voc√™ aprende enquanto est√° parado, n√£o dirigindo...

Esquecendo os bancos da frente, passamos para os bancos traseiros para encontrar uma agrad√°vel surpresa. O Passat cresceu consideravelmente na dist√Ęncia entre eixos, o que lhe confere os bancos traseiros mais generosos do segmento. Aqui bate os tr√™s carros premium e o Opel's Insignia. A altura, embora esta "queda" pelo design externo do carro, ainda √© respeit√°vel, jogando entre os melhores da categoria, e voc√™ s√≥ pode perder alguma largura se voc√™ montar tr√™s adultos, o que n√£o √© t√≠pico.

As coisas como elas são: Se você vai usar assiduamente os bancos traseiros, especialmente com adultos, este é o segmento D a comprar, se você está procurando por conforto lá atrás. O facto de ter também ar condicionado independente para a área traseira, com os seus difusores de ar dedicados, apenas acrescenta mais um ponto a seu favor.

Os bancos traseiros e o porta-malas colocam-no como líder no seu segmento, embora o acesso ao porta-malas seja complicado, e eu apostaria antes da Variante do que o sedan para ela.

Tronco? Com 586 litros dispon√≠veis, √© o maior do segmento. √Č cavernoso como poucos, e voc√™ raramente precisar√° de mais espa√ßo do que ele oferece. O problema fundamental √© a abertura da carga. √Č assim que as coisas s√£o: Os sedans de tr√™s corpos t√™m uma vantagem intr√≠nseca: s√£o mais r√≠gidos no chassis do que um hatchback. A chapa de metal que une os lados do corpo logo atr√°s dos apoios de cabe√ßa torna o monobloco consideravelmente mais s√≥lido. Mas complica a vida, se formos enfiar objectos volumosos na parte de tr√°s.

Embora haja espaço para parar um regimento, tentei fazer as compras semanais com o anão em casa. Colocar o carrinho "lá dentro" representou um desafio considerável, especialmente arrastá-lo até às traseiras para dar lugar às outras coisas que eu queria carregar, o que significava arrastá-lo para fora quando chegámos a casa.

Nesse ponto, se você é "um de mim" que vai carregar coisas grandes no carro, e você quer acesso fácil ao porta-malas, para colocar as coisas em "pé", eu recomendo fortemente que você opte pela variante familiar. A bota é marginalmente maior (650 litros), mas a vantagem não está no espaço (duvido que alguém precise tanto quanto o normal), mas sim na facilidade de carregar e descarregar coisas sem esforço nas costas. O corpo é menos rígido em termos de torção? Provavelmente, mas você não vai ao Col de Turini para definir o tempo mais rápido da etapa especial no Passat e vencer Ogier, vai?

Tecnologia

A plataforma do carro é a familiar plataforma modular MQB do Grupo VAG, omnipresente em todos os seus novos modelos transversais de motores dianteiros.

O Passat faz a sua estreia na plataforma modular de motores front-transverse da VAG, o MQB. Sim, est√° relacionado com o golfe, mas puxa a modularidade para criar um carro em propor√ß√Ķes completamente diferentes, muito maiores.

Na unidade de teste tivemos o motor que se vai tornar a estrela da gama actual, o TDI de dois litros e 150 cv, emparelhado com a caixa de seis velocidades DSG e tracção às rodas dianteiras apenas, embora a tracção integral possa ser encomendada a pedido.

O chassi tem escoras McPherson no eixo dianteiro, com uma traseira multi-link. As molas são molas helicoidais "de toda a vida", mas opcionalmente, na unidade de teste, você pode ter um amortecimento magnetoreológico que muda suas propriedades dependendo de um seletor na cabine.

O carro √© mais leve do que antes, mais r√≠gido, mais seguro... Tudo o que se pode esperar da evolu√ß√£o das esp√©cies com a mudan√ßa geracional, e integra (ou pode integrar, dependendo das op√ß√Ķes) mil e um extras tecnol√≥gicos para tornar a vida mais confort√°vel. Desde os far√≥is inteligentes de LED que seguem as curvas at√© √† assist√™ncia autom√°tica de manuten√ß√£o da faixa de rodagem, controlo activo da velocidade de cruzeiro, sistema de estacionamento autom√°tico ou tampa da bagageira automatizada.

Nada falta nesta frente, e realmente não tem nada a invejar nestes extras ao equipamento dos sedans premium, que é onde eles costumavam jogar com a vantagem e a diferença.

Comportamento

E chegamos ao aspecto fatídico quando se trata de avaliar um carro: como ele dirige. Já vimos no papel que "tem tudo" para ser o derradeiro aparelho de transporte para trabalhadores que passam muitas horas na estrada ou executivos que também querem usar o carro para a sua vida familiar.

O arranque do carro dá lugar a um motor diesel muito silencioso que mal perturba a cabine, embora existam carros mais silenciosos e suaves com um motor frio (lembre-se que no outro dia eu lhe disse que o Cherokee surpreendido pela sua insonorização... bem, ele iria bater o Passat naquela frente).

Apesar do seu tamanho, na cidade você se sente confortável com ele.

Apesar de ter quase 4,8 metros de comprimento, conduzir na rua não é problema com o novo Passat, que na cidade, acompanhado pela caixa de velocidades DSG e um Start&Stop muito bem sucedido, é um companheiro perfeito, o que também mal mostra qualquer sede de gasóleo (na cidade, a média é de 6,5 litros por 100 km, em comparação com os 5,3 prometidos pelo fabricante). Nota-se que a caixa de velocidades DSG toca um pouco estranhamente de vez em quando. Há o ocasional empurrão de um impasse que nos surpreendeu marcadamente, acostumados à extrema suavidade do Passat.

A raz√£o deste problema √© que o motor TDI tem um bin√°rio muito concentrado a partir de quase 2.000 rota√ß√Ķes por minuto, pelo que a pot√™ncia do cavalo entra em ac√ß√£o quando se passa de uma paragem para uma determinada velocidade, pelo que a resposta do acelerador n√£o √© linear ou progressiva, mas o carro empurra um pouco primeiro para empurrar muito mais de uma s√≥ vez. A gasolina √© mais suave nesse aspecto, e pode dar-lhe uma vantagem.

Mas n√£o √© na cidade que Passats tendem a passar a sua vida √ļtil, √© na estrada aberta. Nesse ambiente, com a suspens√£o no modo "conforto" e todos os outros ajustes definidos para o mesmo ajuste no seletor de modo √† esquerda da alavanca de c√Ęmbio, o Passat se transforma em um tapete m√°gico, passando por solavancos e buracos sem vacilar. As rodas seguem o perfil da estrada enquanto o corpo est√° perfeitamente suspenso e o nosso corpo n√£o est√° fatigado de todo.

Com o controlo activo de cruzeiro, a faixa que segue o assistente e boa m√ļsica pode passar metade da sua vida assim, sem fadiga acumulada. A √ļnica desvantagem que encontramos aqui √© a teimosia do carro quando, ap√≥s ultrapassar um carro, voc√™ quer voltar √† sua faixa, pois o detector de √Ęngulo morto quer que voc√™ deixe muitos (mas muitos) metros √† frente do carro que acabou de ultrapassar, e tenta evitar mover o volante para evitar que voc√™ volte "para o seu lugar". Sim, pode desactivar a faixa de rodagem para evitar este problema, mas bastaria afinar um pouco os ajustes, porque n√£o se trata de percorrer 300 metros na faixa em sentido contr√°rio em cada ultrapassagem para deixar dois cami√Ķes de dist√Ęncia de seguran√ßa para o carro que ultrapassou.

Na estrada aberta, no modo conforto, é como um tapete voador sobre os solavancos, filtrando tudo sem quebrar a trajetória ou incomodar os rins.

Neste tipo de condu√ß√£o e circunst√Ęncias podes obter cerca de cinco litros e algum consumo, com uma caixa de velocidades que funciona muito bem e um motor que, acompanhado pelo DSG, est√° sempre pronto para te apoiar nas ultrapassagens, com um "p√© no ch√£o" 80-120 de sete segundos e meio. No nosso sistema de pontua√ß√£o, esta medida, juntamente com 0-60 em 8,7 segundos, d√°-lhe 24 pontos de desempenho, um valor respeit√°vel para um carro familiar que tem a nossa aprova√ß√£o para ultrapassar e fundir. Vendo os resultados com este motor, vamos dizer que achamos que ele tem a pot√™ncia e torque certos para este tipo de carro, e que optar por um menos potente condicionaria essa facilidade ao ultrapassar que tinha a unidade de teste, ent√£o eu estabeleceria como base estes 150 cavalos para avaliar a compra de um Passat.

E se começarmos a ir depressa? Aqui as coisas complicam-se. O carro, sim, tinha o "Sport trim", mas isso não significa que seja um carro desportivo, como rapidamente provou. Sempre considerámos satisfatória a nossa experiência anterior com carros de plataforma MQB, com narizes sempre dispostos a entrar em curvas e comportamento de chassis neutro e exemplar, se bem que talvez um pouco pouco pouco pouco comunicativo.

Sab√≠amos que com o Passat e a sua generosa dist√Ęncia entre eixos as coisas seriam um pouco diferentes, mas talvez um pouco diferentes demais, na minha opini√£o, pelo menos.

Mudámos para o modo "desporto" no selector de "personalidade" do carro. Os amortecedores tornam-se mais restritivos nos seus movimentos, a direcção ganha demasiada rigidez (excessiva por todos os motivos), mas não se ganha um pingo de informação de aderência disponível, a caixa de velocidades é colocada em modo desportivo, e a resposta do acelerador torna-se mais forte, menos linear: ligeiros movimentos do tornozelo atingem grandes mudanças de carga do acelerador.

√Č claro que n√£o falta motor ao carro, mas a primeira travagem no nosso passe de teste (muito r√°pida, com bom asfalto), faz-nos notar que a transfer√™ncia de peso para o nariz √© mais lenta. Colocamos o volante e notamos que a dire√ß√£o √© muito pesada, como eu disse acima. O carro vai para o √°pice, mas mais uma vez √© lento na sua progress√£o para o suporte. Dar g√°s √© uma brincadeira de crian√ßas, pois h√° energia mais do que suficiente.

Mesmo que você escolha o modo "Sport", as molas são o que são, são muito macias, e embora os amortecedores abrande a carroceria, o carro leva muito tempo para se inclinar ou para atacar a entrada da curva com o nariz.

A caixa de velocidades, no modo desportivo, faz "uma confus√£o", como dizem, porque tenta levar o motor na sua zona boa, mas √†s vezes fica presa nos cantos, deixando o motor baixo enquanto se viaja em direc√ß√£o ao √°pice para depois, de repente, retirar muitas mudan√ßas quando se pede gasolina para sair da curva. Em modo manual parte do problema est√° resolvido, embora esteja longe de ser aquele DSG de incr√≠vel velocidade, pois as redu√ß√Ķes nem sempre s√£o feitas quando o comandas, mas por vezes demora o seu tempo entre pedi-las e faz√™-las (ent√£o a mudan√ßa, em si mesma, √© r√°pida, o tempo passa entre bater na came e realizar a opera√ß√£o).

Pequenos solavancos na linha fazem o carro comê-los, mas está muito seco com esta configuração amortecedora. Eles não te vão tirar da linha exageradamente, mas é como ter muito poucas viagens em suspensão. Não é convincente.

Mas porqu√™ este problema com a suspens√£o? Bem, por uma raz√£o tecnicamente l√≥gica. A Volkswagen queria ter uma suspens√£o "tapete m√°gico" no modo conforto, por isso optou por molas relativamente macias que s√£o √≥ptimas quando se est√° a viajar em sil√™ncio. Quando voc√™ quer ir com for√ßa, brincar com transfer√™ncia de massa, atacar cantos, voc√™ pode optar por restringir o movimento dos amortecedores, mas as molas permanecem as mesmas, macias. Ao restringir o amortecimento no modo "desportivo", o que se faz √© abrandar a velocidade a que as rodas se podem movimentar, o que evita os lan√ßamentos e oscila√ß√Ķes, mas a f√≠sica √© o que √©, e com essa configura√ß√£o de mola (que √© onde o carro acaba por descansar), o Passat demora algum tempo a alcan√ßar o apoio certo numa curva, ou o lan√ßamento "final" em travagem.

Isto condiciona o prazer de condu√ß√£o. Seria necess√°rio testar o carro com suspens√£o standard, pois pode ter mais sucesso nestas circunst√Ęncias, uma vez que, na minha opini√£o e gosto, a combina√ß√£o em "modo desportivo" de uma mola t√£o macia com amortecimento t√£o restritivo est√° errada, e d√° a sensa√ß√£o de estar mal afinado.

Em qualquer caso, se voc√™ n√£o √© o tipo de pessoa que ataca a montanha passa "avidamente" esperando que o carro v√° como um atirador de elite, inclinando-se da esquerda para a direita quase instantaneamente, o Passat tamb√©m n√£o vai desagradar voc√™ em curva. N√£o √© desajeitado como um Citro√ęn C5 pode ser, mesmo que esteja perto do seu conforto. Na verdade, dos generalistas, apenas dois carros me parecem mais √°geis nos cantos: o Mazda6 (vamos trazer-lhe o seu teste dentro de algumas semanas), e o Mondeo, ambos conseguem fazer os seus movimentos de carro√ßaria fluir melhor nos cantos, embora √† custa de perderem um pouco de conforto.

Conclus√Ķes

Agora √© hora de tirar conclus√Ķes. Voc√™ pode ficar com um mau gosto na boca por estes √ļltimos par√°grafos, mas n√£o deixe que um pequeno detalhe o fa√ßa perder de vista o quadro inteiro.

Sendo um aparelho de transporte do ponto A ao ponto B, com espa√ßo de carga e espa√ßo na fila de tr√°s dos bancos, com conforto, equipamento tecnol√≥gico e efici√™ncia energ√©tica, o Passat est√° entre os melhores da sua classe, sem d√ļvida. Se eu tiver que julg√°-lo entre os generalistas e compar√°-lo, eu lhe direi que neste momento ele est√° muito √† frente em tudo ou quase tudo da Ins√≠gnia. Com respeito ao Mondeo, as coisas complicam-se, sendo dois carros muito pares, o Passat √© mais confort√°vel, com um toque din√Ęmico extra para o Mondeo (mas n√£o muito, n√£o √© um Fiesta ST). O Mazda6 oferece o melhor controlo de movimento corporal do segmento, mas em acabamentos interiores, equipamento de info-entretenimento e puro conforto √© um passo atr√°s do de Wolfsburg.

E como alternativa a um pr√©mio? √Č a√≠ que as coisas se complicam. Quando se trata de leasing para autom√≥veis de empresas, justificar um BMW, um Audi ou um Mercedes-Benz n√£o vem dos atributos do pr√≥prio autom√≥vel, mas da menor desvaloriza√ß√£o que estas tr√™s marcas t√™m em compara√ß√£o com um Passat, que desvaloriza mais, o que significa que ao mesmo pre√ßo inicial, um "premium" √© melhor financeiramente.

Mas se tirarmos a questão do leasing do caminho, e pensamos que com dinheiro privado no bolso, é claro que por mais ou menos 35.000 euros (o Passat do teste custa pouco menos de 37.000 euros), o Volkswagen vem muito mais equipado do que um prémio, uma vez que para essa taxa mal se conseguia chegar ao modelo de nível básico.

√Č claro que uma S√©rie 3 oferece um comportamento din√Ęmico superior (e um pouco menos de conforto), mas em termos de arranque, bancos traseiros e a rela√ß√£o pre√ßo/qualidade do carro (em termos de equipamento) os generalistas t√™m muito mais a dizer, como este Passat. √Č por isso que √†s vezes parece estranho ver tantos "premium" do modelo de acesso mais b√°sico sendo vendido (sim, √© o leasing que os justifica).

Eu compraria um destes Passats? Bem, não. Certamente "faz bem tudo o que precisa para fazer bem", e para o cliente certo é provavelmente a solução mais racional. Mas é esse problema, o problema do raciocínio, que o mata. Ela é a típica aluna modelo na sala de aula, que recebe todos os A e B no colegial, que é bonita na cara, mas passa sempre despercebida. Ela não tem sex appeal, nem um carácter magnético, nem é "alguém que te irrita". No final ela não acaba roubando seu coração, e isso é o que acontece comigo com este carro. Falta-lhe carácter, personalidade, "algo de que falar". Algo por que se apaixonar.

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