Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

Consciente de ter feito muitos dos seus clientes esperar e de ter acabado por perder muito terreno no segmento dos sedan tradicionais (que já não é tão flutuante como era), a Ford aposta numa vasta gama de motores, incluindo uma versão híbrida, um equipamento standard completo e, acima de tudo, uma política de preços e descontos muito agressiva.

A Honda decidiu n√£o dar descend√™ncia ao Acordo e a Renault est√° a deixar morrer o Laguna (embora a sua substitui√ß√£o esteja na fase final de desenvolvimento). H√° ainda o Peugeot 508, o Opel Insignia e o Volkswagen Passat, para citar tr√™s exemplos, mas os sedans tradicionais est√£o desaparecendo pouco a pouco e apenas algumas marcas est√£o relutantes em deixar este segmento, dominado pelo pr√™mio 3 alem√£o. Os sal√Ķes cl√°ssicos, como o novo Ford Mondeo, recusam-se a ceder terreno aos SUV e crossovers, os favoritos do p√ļblico. E o que pode o Mondeo oferecer que um crossover n√£o ofere√ßa? Bem, algo que est√° cada vez mais perdido e que pelo menos no novo Mondeo ainda est√° muito vivo: um prazer de condu√ß√£o muito superior ao de qualquer SUV.


Desenho

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

Este novo Mondeo n√£o recupera nada, ou quase nada, da gera√ß√£o anterior e "partilha" muito com o Ford Fusion americano. √Č 9 cm maior que o Mondeo anterior, medindo 4,87 m de comprimento gra√ßas principalmente a uma dist√Ęncia entre eixos mais longa que √© agora de 2.850 mm, algo que √© particularmente percept√≠vel nos bancos traseiros. O corpo do novo Mondeo tamb√©m √© mais leve do que a gera√ß√£o anterior. Pesa menos 115 kg, um feito e tanto, que se deve √† utiliza√ß√£o de a√ßo de alta resist√™ncia em 61% dos seus componentes e de um novo eixo traseiro de alum√≠nio. Naturalmente, uma vez adicionado o isolamento ac√ļstico e o equipamento, a diferen√ßa de peso entre as duas gera√ß√Ķes √© reduzida para apenas 25 kg. Um valor irrelevante por si s√≥ neste tipo de carro, mas que demonstra o desejo da Ford de limitar o peso em antecipa√ß√£o ao aumento do equipamento que o Mondeo pode transportar.


O front end é um pouco agressivo e lembra-me, até certo ponto, o Mustang.

O perfil e a traseira do novo Mondeo fazem lembrar a gera√ß√£o anterior, especialmente a traseira e a forma das luzes traseiras. Esta unidade n√£o tem os famosos tubos traseiros de escape cromados integrados no p√°ra-choques que tanto se v√™ nos an√ļncios e no configurador online da Ford. E essas belas caudas s√£o exclusivas dos motores 2.0 TDCi de 180 cv e 2.0 litros EcoBoost de 240 cv, ou seja, os dois melhores da gama. No nosso caso, testamos aqui o TDCi de 150 hp 2.0, que deve ser o mais vendido da gama.

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

A frente, entretanto, recupera a grelha corporativa da marca, que j√° vimos no Fiesta ou Focus, por exemplo. N√£o sei se √© o meu desejo de p√īr as m√£os nele ou se existe realmente uma semelhan√ßa, mas entre a forma dos far√≥is - finos e dando um olhar agressivo - e a grelha, este Mondeo tem uma ligeira semelhan√ßa com o Mustang que n√£o √© desagrad√°vel.

A bordo

Por dentro, a qualidade do interior est√° melhorando, mas alguns detalhes esfriam a primeira impress√£o positiva. O acabamento "piano black" de alguns elementos risca facilmente, enquanto o pl√°stico da consola central parece de qualidade inferior ao resto da cabina.

O que h√° de bom neste novo Mondeo, em termos de painel de instrumentos, √© a ergonomia simplificada proporcionada pelo novo sistema de informa√ß√£o e entretenimento Sync2. N√£o h√° tantos bot√Ķes na consola central como num Boeing e o layout ajuda a dar-lhe uma sensa√ß√£o de desorganiza√ß√£o. E agora voc√™ pode encontrar todas as fun√ß√Ķes num piscar de olhos.


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O sistema de infoentretenimento tamb√©m √© muito mais f√°cil de usar do que na gera√ß√£o anterior de Fords. O ecr√£ principal est√° dividido em quatro zonas, cada uma dedicada a um grupo de fun√ß√Ķes (√°udio, navega√ß√£o, climatiza√ß√£o e telefonia) e a interface √© muito intuitiva. √Č sem d√ļvida aqui que a Ford fez os progressos mais not√°veis.

Por dentro, a qualidade progride, mas alguns detalhes esfriam a primeira impress√£o positiva.

O painel de instrumentos, uma mistura de rel√≥gios anal√≥gicos e ecr√£ multim√©dia, √© muito leg√≠vel e personaliz√°vel: pode inund√°-lo de informa√ß√£o (leitura de sinais de limite de velocidade, assist√™ncia na pista, proximidade, esta√ß√£o de r√°dio, alcance, velocidade em mph, etc.) ou limitar-se ao essencial (conta-rota√ß√Ķes, velocidade, n√≠vel de combust√≠vel e temperatura do motor). Mesmo a navega√ß√£o no computador de bordo atrav√©s dos comandos multifun√ß√Ķes do volante √© muito mais f√°cil e intuitiva do que em qualquer outro Ford sem o Sync2.

O espa√ßo do novo Mondeo tamb√©m melhorou. N√£o poderia ser de outra forma num carro que mede 4,87 m de comprimento e com uma dist√Ęncia entre eixos de 2,85 m. Na frente, o espa√ßo em comprimento √© soberbo, os bancos s√£o muito confort√°veis - especialmente aqueles com ajustes el√©tricos (com fun√ß√£o de massagem e ventila√ß√£o como op√ß√£o) -, mas em um carro de 1,85 m de largura o espa√ßo em largura me parece um pouco curto na √°rea do t√ļnel central e muito largo na lateral das portas. Talvez separar um pouco mais os assentos melhorasse esta sensa√ß√£o.


Na parte de tr√°s, o espa√ßo melhora e √© quase t√£o bom como nos bancos da frente. √Č verdade que o espa√ßo para os joelhos √© maior do que na gera√ß√£o anterior, mas isso deve-se principalmente √† forma dos encostos dos bancos dianteiros. Em geral, o espa√ßo √© bom, mas em rela√ß√£o ao tamanho exterior do carro, seria de esperar um pouco mais. A esse respeito, o novo Passat √© melhor que ele.

Quando se abre a porta traseira eléctrica (Titanium trim), a bagageira deste saloon fastback parece enorme. No entanto, com 541 litros, é apenas 1 litro a mais do que o Mondeo III e muito longe do novo Passat com os seus 612 litros. Essa sensação de imensidão da bagageira vem da sua profundidade: 1,15 m da soleira até ao encosto do banco traseiro. Junte a isso os 23 cm do pára-choques e do peitoril da porta traseira, e você vai sujar as calças e as costas para recuperar algo no fundo da bota.

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

Os 25 kg a menos do que a gera√ß√£o anterior mencionada no in√≠cio √©, como a Ford indica, no caso do 1,5 EcoBoost que substitui a gasolina 1,6. Nas outras vers√Ķes e na nossa, que est√° repleta de equipamentos opcionais, essa pequena vantagem desaparece. E isso n√£o parece bom para a divers√£o da condu√ß√£o. Errado.

Ao volante

O prazer de dirigir é uma das vantagens que um saloon pode oferecer sobre um SUV ou crossover. Claro que, para tirar partido de um centro de gravidade inferior, o chassis tem de ser afinado em conformidade. Felizmente, esse é o caso deste Mondeo IV. Nos primeiros minutos já se apercebeu das suas qualidades e assim que faz as curvas pode apreciar a bondade do seu chassis. A montagem consegue isolar os passageiros das irregularidades da estrada, oferecendo um excelente nível de conforto, ao mesmo tempo em que limita os movimentos do corpo, tanto no passo como no rolamento.

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O bom isolamento deve-se em parte √† nova suspens√£o traseira multi-link (semelhante √† utilizada na BMW, por exemplo). Permite um maior conforto, mantendo ao mesmo tempo os n√≠veis de firmeza necess√°rios para a realiza√ß√£o de curvas din√Ęmicas. Al√©m disso, a Ford garante que a roda pode at√© recuar quando ultrapassa obst√°culos √≠ngremes (como um choque de velocidade), de modo que a energia cin√©tica √© absorvida horizontalmente e n√£o verticalmente (amortecedores), onde os passageiros a notariam muito mais.

Como opção é possível escolher um amortecimento pilotado com três níveis: Conforto, Normal e Desportivo. Embora o desporto ofereça um plus de firmeza, sou a favor de um sistema passivo - ou seja, o equipamento de série - que já oferece um excelente nível de conforto e de desportividade.

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A direc√ß√£o n√£o √© muito comunicativa em situa√ß√Ķes normais, mas come√ßa a dar-lhe feedback quando se aproxima do limite e entra numa zona onde o ESP vai fazer efeito. A Ford conseguiu obter uma boa direc√ß√£o electromec√Ęnica aqui. Achei o front end muito √°gil e preciso; encurralar este Mondeo √© um prazer. O nariz vai exactamente para onde voc√™ diz para ir, o carro √© plantado ao quadrado e a traseira segue-o at√© ao mil√≠metro. Apenas em pisos muito pobres e com um porta-bagagens vazio √© que a extremidade traseira pode saltar ligeiramente, alterando a traject√≥ria, enquanto a extremidade dianteira n√£o √© afectada pela onda de bin√°rio que tem de digerir (at√© 400 Nm).

A neutralidade do Mondeo para um manuseio ágil irá satisfazer aqueles de nós que gostam de dirigir.

Em todo o caso, ele apresenta um comportamento neutro a √°gil que satisfar√° aqueles de n√≥s que gostam de dirigir; ainda est√° longe do n√≠vel de um BMW 3 Series, mas √© muito mais interessante dirigir do que um Audi A4. Em situa√ß√Ķes limite tem um marcado car√°ter de subvirar, mas isso √© de se esperar. Sem d√ļvida poderia ter-se tornado mais √°gil, mas tamb√©m iria contra a filosofia deste carro, concebido principalmente para viagens longas em estradas r√°pidas.

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

Enquanto em √°reas sinuosas o torque abaixo de 2.000 rota√ß√Ķes era por vezes inexistente, em estradas r√°pidas isto √© de import√Ęncia secund√°ria, desde que n√£o se tenha de ultrapassar. O conforto e estabilidade do Mondeo na auto-estrada s√£o louv√°veis. A insonoriza√ß√£o melhorou consideravelmente, havendo mesmo um certo requinte quando se conduz a uma velocidade constante.

Durante a acelera√ß√£o, o motor diesel √© percept√≠vel, mas n√£o excessivamente. Por falar em acelera√ß√£o, a falta de torque abaixo de 2.000 rpm era evidente em trechos sinuosos, mas tamb√©m em estradas r√°pidas, √© percept√≠vel quando se quer ultrapassar. Isto √© evidenciado pelo tempo de 8,4 segundos para passar de 80 a 120 km/h na 4¬™ marcha. Honestamente, eu esperava um momento melhor. Nas auto-estradas n√£o √© um problema, mas nas estradas de dois sentidos, quanto mais r√°pido for a ultrapassagem, mais seguro √©. E n√£o √© que o motor esteja completamente sem bin√°rio abaixo dessa velocidade, √© mais a culpa de rela√ß√Ķes de transmiss√£o demasiado longas.

Equipamento

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

N√£o √© que o novo Ford Mondeo esteja atrasado per se, mas sim que a Ford est√° ausente do segmento h√° mais de dois anos para todos os efeitos pr√°ticos. Entretanto, os seus rivais t√™m feito progressos. Al√©m disso, o seu lan√ßamento coincide com a chegada do novo Volkswagen Passat, seu verdadeiro rival no segmento. Para lutar contra isso, a Ford prop√Ķe uma pol√≠tica de pre√ßos muito agressiva (desde que o carro seja financiado atrav√©s da Ford) com descontos de 6.000 euros em m√©dia. Assim, o pre√ßo base para o TDCi de 150bhp com revestimento Titanium √© de 31.650 euros, mas a Ford deixa-o a 25.800 euros.

O equipamento de s√©rie do Titanium inclui, entre outros, controlo de climatiza√ß√£o de zona dupla, controlo de cruzeiro e controlo de velocidade, sensor de luz e chuva, sensor de press√£o dos pneus, jantes de liga leve de 17", sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, luzes de nevoeiro com envolvente cromada e curvas din√Ęmicas, bancos dianteiros aquecidos, sistema SINC 2 com ecr√£ t√°ctil de 8" e √°udio com 8 colunas, aviso de sa√≠da de faixa e reconhecimento de sinais de tr√Ęnsito. As op√ß√Ķes n√£o s√£o t√£o numerosas como em outras marcas, mas est√£o agrupadas em pacotes interessantes, tais como os estofos em pele incluindo bancos el√©ctricos (2.100 euros) ou o Hi-Fi Luxury, que inclui o navegador SD TFT SD com ecr√£ t√°ctil 8‚Ä≥ com SYNC 2 e r√°dio Sony, Premium Sound System-Audiophile 12 colunas Sony, c√Ęmara de vis√£o traseira e sistema de assist√™ncia ao estacionamento, por 1.800 euros.

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

Alguns podem parecer muito interessantes, como o Pacote Tech Premium, mas talvez n√£o tanto no dia-a-dia. Com um pre√ßo de 2.300 euros, inclui uma s√©rie de ajudas de condu√ß√£o (Adaptive Cruise Control ACC, assistente de pr√©-colis√£o com detec√ß√£o de pe√Ķes e detector de √Ęngulo morto) e o CCD de suspens√£o adapt√°vel e bancos el√©ctricos e aquecidos. O assistente de pr√©-colis√£o √© uma ajuda inestim√°vel, sem d√ļvida, e em algumas situa√ß√Ķes √© uma prova de qu√£o mal conduzimos em geral. Se voc√™ ouvir o sistema, a dist√Ęncia de seguran√ßa que voc√™ tem que deixar em rela√ß√£o ao carro √† sua frente √© tal que voc√™ vai ter sistematicamente um ou dois carros nessa lacuna. Voc√™ pode regular o qu√£o permissivo o sistema pode ser, mas voc√™ ainda ter√° um ou dois carros no intervalo, reduzindo a dist√Ęncia novamente. N√£o √© culpa do sistema, a culpa √© nossa. Embora aborrecido no dia-a-dia, √© educativo e, se quisermos, torna-nos respons√°veis pela condu√ß√£o.

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Outro sistema que pode parecer √ļtil em um carro de 4,80m √© o de assist√™ncia ao estacionamento. Sabes, o carro detecta um espa√ßo e estaciona sozinho. Em teoria √© o ideal. Na pr√°tica n√£o funciona para mim: √†s vezes detecta espa√ßos onde n√£o h√° nenhum e √†s vezes descarta espa√ßos onde consegui estacionar, embora com um pouco de manobras. Moral da hist√≥ria, salvar o assistente e aprender a estacionar. No final do dia, dirigir √© uma responsabilidade e voc√™ tem sido capaz de viver e dirigir sem ela at√© hoje.

Outra op√ß√£o not√°vel √© o cinto de seguran√ßa do airbag. Em caso de acidente, eles dissipam a energia cin√©tica em uma √°rea do corpo 5 vezes maior do que com uma cinta convencional, reduzindo assim o tamanho e a import√Ęncia das contus√Ķes causadas pela for√ßa da cinta sobre o corpo. Esses hematomas n√£o s√£o um problema para um adulto em forma, mas para uma pessoa idosa, por exemplo, √© uma hist√≥ria diferente.

Conclus√£o

Test Drive: Ford Mondeo 2.0 TDCi

O progresso do novo Mondeo em rela√ß√£o ao anterior coloca-o no p√≥dio dos melhores sal√Ķes do segmento D das marcas generalistas, √† frente do Opel Insignia, Toyota Avensis ou Skoda Superb, por exemplo. E eles s√£o modelos com mais de 5 anos no mercado. Mesmo contra um Peugeot 508 (o seu restyling n√£o muda muito) o Mondeo √© o vencedor.

Os seus dois principais rivais são o Mazda6 e o Volkswagen Passat. O Mazda6 oferece algum prazer de condução, embora menos do que o Mondeo, mas com uma qualidade de cabine muito mais lisonjeira. Quanto ao Passat, na Europa ele é quase premium e tem um estilo muito clássico.

Finalmente, h√° a quest√£o do pre√ßo. √Č claro que a unidade que testamos (43.550 euros sem desconto) parece um pouco cara para um Mondeo, mesmo com o desconto da Ford - √© de 37.700 euros. Tudo se resume a uma quest√£o de prioridades, se n√£o tivermos em conta o financiamento do carro. Se voc√™ gosta de um pouco de condu√ß√£o, o Mondeo √© o carro para si. Se preferir um toque de qualidade quase premium a bordo e originalidade est√©tica, o Mazda6 ser√° a escolha certa. O Volkswagen Passat, entretanto, continuar√° a ser o carro de elei√ß√£o das frotas e de quem quiser um pr√©mio sem ser demasiado percept√≠vel. Finalmente, se a quest√£o do financiamento do carro √© importante, porque a partir de 25.800 euros, o Mondeo TDCi 150 hp Titanium √© a op√ß√£o mais interessante de todas: prazer de condu√ß√£o, equipamento, habitabilidade, conte√ļdo tecnol√≥gico e pre√ßo s√£o os seus trunfos.

Teste originalmente publicado no Autoblog em Fevereiro de 2015.

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