Os 10 carros que geraram mais perdas

As marcas investem enormes quantias de dinheiro no desenvolvimento e produção de novos modelos. Obviamente, eles fazem-no com a intenção de o tornar lucrativo. E se possível, muito rentável. Apesar de todos os estudos de mercado e marketing que realizam, a decisão final é sempre uma aposta. E pode correr bem ou mal.

H√° casos famosos, como o Renault Twingo ou o Ford Sierra, que foram apostas que sa√≠ram muito bem. O Twingo foi concebido para ser o primeiro carro para um p√ļblico jovem. Ou assim disseram os profissionais de marketing da Renault. No final, foi o terceiro carro para fam√≠lias urbanas, um dos carros favoritos dos aposentados galeses e um sucesso sem precedentes nas √°reas rurais. V√° l√°, era um Dacia Logan antes do seu tempo e com um fato de marca. No final, funcionou bem para a Renault. Mas tamb√©m houve fracassos mais ou menos retumbantes na ind√ļstria.


Alguns desses fracassos foram uma conclus√£o inevit√°vel, enquanto um aparente sucesso esconde um po√ßo sem fundo para os cofres da marca. O que importa √© que voc√™ vende carros acima do ponto de equil√≠brio (ou seja, de X carros vendidos voc√™ recuperou seu investimento e come√ßa a ganhar dinheiro) do que o valor absoluto, n√£o importa o tamanho do investimento. √Č por isso que todos est√£o obcecados em reduzir os custos de desenvolvimento e de produ√ß√£o: para baixar esse ponto de equil√≠brio, o que em Fran√ßa eles chamam de forma muito gr√°fica de "limiar de rentabilidade".

Para o estudo, a Warburton tomou como base os valores de produção do modelo (fornecidos pelo fabricante) e depois calculou os custos fixos, assim como o investimento em pesquisa e desenvolvimento (dados não fornecidos pelos fabricantes). Em seguida, eles calcularam a margem de lucro que cada carro poderia dar com base no seu preço de venda real (antes de impostos). A partir daí, eles vieram com a seguinte lista.


10- Renault VelSatis

A √ļltima tentativa da Renault de entrar no segmento premium foi um fracasso retumbante. Desenhado por Patrick Le Qu√©ment, o carro cumpriu um dos objectivos do Le Qu√©ment, de polarizar as aten√ß√Ķes. As opini√Ķes foram divididas, com alguns apreciando a ousadia das linhas, outros considerando-a simplesmente hedionda.

Lan√ßada em 2001, a Renault esperava uma produ√ß√£o anual de 50.000 unidades. No final, foram 50.000 unidades produzidas entre 2001 e 2009. Eles estimam que a Renault perdeu 1,2 mil milh√Ķes de euros no neg√≥cio. Num carro que eles pensavam vender por 35.000 euros em m√©dia e vendido por 30.000 euros, a Renault perdeu 18.712 euros por VelSatis vendido. Uma pena, porque o carro tinha qualidades din√Ęmicas reais e conforto igual ou superior aos seus rivais.

9- Audi A2

Os 10 carros que geraram mais perdasApós o primeiro carro de competição ASF, Audi Space Frame de alumínio, que foi nada mais nada menos que o primeiro Audi A8, a Audi voltou à carga com alumínio e idealizou o Audi A2, querendo assim demonstrar a viabilidade do alumínio em ambos os extremos do mercado.

Hoje √© considerado uma pequena j√≥ia e um carro antes do seu tempo, mas a realidade √© que a Audi apanhou os dedos com a A2. Obviamente, seu complexo e, portanto, caro processo de fabrica√ß√£o foi uma das principais causas das perdas que causou √† Audi. Segundo a Bernstein Research, a Audi perdeu 1,3 bilh√Ķes de euros no A2, perdendo 7.532 euros por carro vendido entre 2000 e 2005 (o A2 s√≥ esteve √† venda durante 5 anos).


8- Renault Laguna

Os 10 carros que geraram mais perdasCom a terceira gera√ß√£o do Laguna, lan√ßada em 2007, a Renault quis mais uma vez lutar contra o trio premium alem√£o. Em v√£o. O carro fazia lembrar demasiado a gera√ß√£o anterior. Apesar de um interior de alta qualidade e maior fiabilidade, o p√ļblico viu-o como demasiado pr√≥ximo do Laguna anterior. √Č um produto t√£o pouco convincente para o cliente tradicional da BMW, Audi ou Mercedes, e demasiado grande para o cliente M√©gane, que o Laguna ficou sem p√ļblico. Tanto que existem grandes mercados, como o Reino Unido, onde o Laguna foi retirado prematuramente da venda em fevereiro de 2012. Com 30.000 unidades por ano, a Renault perde 3.548 euros, ou seja, 1,5 mil milh√Ķes de euros.

7- Jaguar X-Type

Os 10 carros que geraram mais perdasO X-Type √© o modelo mais vendido na hist√≥ria da Jaguar. Apesar das 362.000 unidades vendidas, o Tipo X quase matou a marca. Lan√ßado em 2001, sob o controlo da Ford, o X-Type destinava-se a retirar as vendas da s√©rie 3 da BMW. O Tipo X falhou na sua miss√£o por uma s√©rie de raz√Ķes. Uma rede de vendas que n√£o sabia como vender um carro com menos de 100.000 euros, a aus√™ncia de um motor diesel e diferentes variantes de carro√ßaria no in√≠cio (embora mais tarde tenha havido uma pausa) s√£o algumas das principais raz√Ķes. Al√©m disso, a clientela mais abastada reprovou-o pelo seu parentesco com o Ford Mondeo. No final, em vez de venderem 200.000 unidades por ano, como tinham estimado, venderam 70.000. Isto levou a perdas de 1,7 mil milh√Ķes de euros (4.687 euros por carro).


6- Bugatti Veyron

Os 10 carros que geraram mais perdasCom um pre√ßo de venda de 1,2 milh√Ķes de euros (1 milh√£o no lan√ßamento) mais impostos, √© dif√≠cil acreditar que a marca perde dinheiro em cada carro que vende. O grupo Volkswagen estimou as vendas anuais de 100 carros (apesar de uma produ√ß√£o limitada a 300 unidades), mas estes foram 80 carros por ano antes do colapso do Lehman Brothers. Depois eram cerca de 40 carros por ano. As v√°rias s√©ries especiais e o roadster nada mais eram do que uma forma de desencadear as vendas e manter viva a produ√ß√£o. As perdas de 1,7 bilh√Ķes de euros calculadas por Bernstein parecem pequenas quando nos lembramos que n√£o s√≥ Ferdinand Pi√ęch teve que comprar a marca, mas tamb√©m o castelo da fam√≠lia Bugatti e construir uma f√°brica ultra-moderna a partir do zero. Al√©m disso, todos nos lembramos das dificuldades de desenvolvimento do carro cuja comercializa√ß√£o foi adiada por v√°rios anos. Em todo o caso, Bugatti, na era Volkswagen, √© um laborat√≥rio tecnol√≥gico e o capricho de Pi√ęch. Na verdade, a VW o considera um investimento semelhante ao de um programa de F√≥rmula 1. N√£o faz dinheiro, mas voc√™ aprende muito e gera uma imagem.

5- Mercedes Classe A

O Classe A foi o primeiro carro da marca com tra√ß√£o dianteira com a estrela e envolveu um investimento muito pesado em seu desenvolvimento. Sua plataforma foi at√© projetada para uma vers√£o el√©trica, que nunca chegou. Para piorar a situa√ß√£o, o famoso teste do alce, com o consequente capotamento da Classe A, n√£o ajudou as vendas a decolar. As perdas para a Mercedes com a Classe A foram de 1.700 milh√Ķes de euros (1.443 euros por unidade). O modelo actual, com a sua plataforma AMF que partilha com o ALC e ABL dever√° ser exactamente o contr√°rio, um modelo muito rent√°vel para a Mercedes.

4- Peugeot 1007

Desenvolvido a partir de uma ideia e design de Pininfarina, Peugeot tinha grandes esperan√ßas para os 1007. Queria tornar-se um √≠cone e revolucionar o segmento urbano gra√ßas √† sua carro√ßaria de minivan e especialmente √†s suas portas de correr. No final, foi um fracasso. Lan√ßado em 2004 com um pre√ßo m√©dio de 18.000 euros, a Peugeot teve de baix√°-lo para 12.000 euros na esperan√ßa de poder vender alguns. A Peugeot estimou uma produ√ß√£o de 150.000 a 200.000 unidades por ano na f√°brica de Poissy, perto de Paris. No final foram 75.000 unidades no primeiro ano, no segundo ano a produ√ß√£o come√ßou uma queda livre. A Peugeot perdeu 1,9 mil milh√Ķes de euros no total (15.000 euros em cada 1007 vendidos).

3- VW Phaeton

Os franceses n√£o foram os √ļnicos a partir os dentes numa tentativa de rivalizar com a Mercedes, BMW e Audi; a pr√≥pria Volkswagen tamb√©m o fez. O sucesso do Audi A8 fez com que Wolfsburg pensasse que eles tamb√©m poderiam colocar um sedan representativo no mercado.

Com uma f√°brica especialmente constru√≠da para o Phaeton em Leipzig, com plataforma pr√≥pria e enormes motores (V10 5,0 litros diesel e W12 6,0 litros gasolina), a Volkswagen perdeu 2 mil milh√Ķes de euros no Phaeton. O Phaeton ficou aqu√©m da produ√ß√£o anual estimada de 50.000 unidades, o melhor ano foi de apenas 11.000 unidades. A Volkswagen perdeu 28.101 euros em cada Phaeton vendido.

Dito isto, e sabendo que a Bentley Continental utiliza a plataforma do Phaeton, √© muito prov√°vel que a Volkswagen tenha deliberadamente assumido parte dos custos de desenvolvimento do Bentley para tornar a empresa brit√Ęnica rent√°vel a n√≠vel contabil√≠stico. E todos os analistas concordam que a Volkswagen n√£o tinha um plano de neg√≥cios para o Phaeton... Excepto talvez para aliviar a carga financeira das contas do Bentley.

2- Fiat Stilo

Os 10 carros que geraram mais perdasCom o Stilo, a empresa italiana queria lutar seriamente contra o rei do mercado europeu, o Volkswagen Golf. O carro tinha tr√™s estilos de carro√ßaria diferentes, novos motores e uma nova plataforma. O Stilo e seus derivados n√£o eram maus carros, mas "o p√ļblico n√£o queria uma vers√£o italiana de um carro alem√£o", explica o relat√≥rio. Lan√ßada em 2001, a Fiat manteve uma pol√≠tica de pre√ßos agressiva que lhe permitiu atingir 180.000 unidades por ano nos dois primeiros anos, mas a Fiat tinha feito seu investimento com 380.000 unidades por ano em mente. No final, significou um buraco de 2,1 bilh√Ķes de euros (2.729 euros para cada carro).

1- Smart ForTwo

Sem surpresas, no topo do ranking encontramos a primeira geração do Smart ForTwo. A gestação do carro inicialmente concebido por Nicholas Hayek, proprietário dos relógios Swatch, foi longa e entediante. De acordo com o relatório de Bernstein, quando a Mercedes comprou o projecto cometeram o erro de o dar a um jovem grupo de engenheiros que se deixou levar e só "usou o melhor" no carro, como se estivessem a desenvolver uma Classe S. A tecnologia utilizada é digna de um supercarro: célula de segurança composta, tração traseira, estabilidade complexa e eficiente e sistema de controle de tração, etc.

Tamb√©m, segundo Bernstein, o facto de fabricar o carro numa nova f√°brica em Fran√ßa com custos elevados n√£o ajudou (embora o relat√≥rio n√£o mencione que a Mercedes obteve algumas vantagens fiscais controversas e muito importantes durante os primeiros 5 anos). No final, o primeiro Smart nunca chegou √†s 200.000 unidades por ano que a Mercedes-Benz tinha planeado. O resultado √© uma perda espantosa de 3,35 bilh√Ķes de euros (4.470 euros por carro vendido).

[Fonte: Bernstein Research via AutomotiveNews].

Artigo originalmente publicado no Autoblog em janeiro de 2014.
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