Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

A hist√≥ria da Giulia come√ßou com uma mistura de necessidades. O sucesso comercial de 1900, de cuja hist√≥ria vos fal√°mos em edi√ß√Ķes anteriores, encorajou a empresa a lan√ßar a Giulietta em 1955. Era um sedan compacto, de quatro metros de comprimento, com um motor dianteiro longitudinal de 1,5 litros e 53 cavalos de pot√™ncia.

Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

Giulietta

Colocado no que hoje seria o segmento C do mercado, o Giulietta foi um sucesso comercial, com mais de 130.000 unidades produzidas das vers√Ķes sedan (coup√© e derivados √† parte) em sua tiragem comercial at√© 1965.


Como vos dissemos no outro dia, a evolu√ß√£o do 1900 levaria a Alfa Romeo a lan√ßar primeiro o 2000 e depois o 2600, que colocou estes modelos no segmento E por direito, enquanto que o que se tornaria o segmento D permaneceria sem um modelo espec√≠fico. √Č por isso que em 1962 foi decidido lan√ßar um produto, o Giulia, que tomaria o lugar do 1900 desaparecido, sendo um pouco maior, mais caro e mais poderoso que o Giulietta, mas sem atingir o tamanho do 2600.

O projecto come√ßou com uma abordagem t√©cnica bastante semelhante √† que se viu na Giulietta e em 1900. Para come√ßar, o mesmo em linha quatro com eixo de comando de v√°lvulas duplo, bloco de a√ßo e cabe√ßote de alum√≠nio usado no Giulietta foi usado, mas seu deslocamento foi aumentado para 1.570 cent√≠metros c√ļbicos. Isto tornou dispon√≠vel 95 cv a 6.000 rpm e cerca de 130 Nm de torque a 4.400 rpm.

Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

O motor foi posicionado longitudinalmente, atr√°s do eixo dianteiro, associado a uma caixa manual de cinco velocidades, cujo comando estava localizado na coluna de direc√ß√£o no in√≠cio, embora as reclama√ß√Ķes dos clientes e dos testadores especializados de meios de comunica√ß√£o social tenham sido feitas primeiro para oferecer uma mudan√ßa opcional no piso do ve√≠culo, que acabaria por se tornar equipamento de s√©rie.


A carro√ßaria, desenhada por Giuseppe Scarnati, seria uma revolu√ß√£o. A realidade √© que os conceitos est√©ticos do carro seriam amplamente testados anteriormente no projeto Tipo 103, um modelo que nunca entraria em produ√ß√£o em s√©rie, mas que buscava criar uma pequena berlina de 3,6 metros com motor transversal frontal e tra√ß√£o dianteira, numa tentativa de responder ao Mini brit√Ęnico.

Esse Tipo 103 serviria de inspira√ß√£o est√©tica para o Renault 8 (na √©poca, Renault e Alfa Romeo tinham projetos conjuntos), mas seria tamb√©m a base para Scarnati desenvolver o tema da Giulia. Na Giulia, foi dada especial √™nfase √† cria√ß√£o de um carro com car√°cter e personalidade pr√≥prios, e com uma aerodin√Ęmica cuidadosamente desenhada.

Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

Na verdade, a Giulia alcan√ßaria um recorde Cx de apenas 0,34 na √©poca. O front end abandonaria o elaborado e org√Ęnico tri-lobo em favor de uma grelha horizontal muito mais reta e far√≥is duplos de di√Ęmetro diferenciado, com o tri√Ęngulo central invertido de Alfa presidindo ao estilo.

A linha lateral foi marcada pelas rodas traseiras integradas numa barbatana que as "mordeu" visualmente e por um corte na diagonal invertida para melhorar o desempenho aerodin√Ęmico do carro. Com 4,13 metros de comprimento, era 13 cent√≠metros mais longo que o Giulietta, mas 27 cent√≠metros mais curto que o 1900 que o precedeu.

Em termos de chassis e suspensão, a carroçaria em aço monocasco incorporou pela primeira vez um desenho de zona de amassamento programável em caso de acidente. A suspensão dianteira era de duplo osso sobreposto, enquanto a traseira tinha um eixo rígido guiado por dois braços longitudinais. As juntas já não precisam de lubrificação periódica.


Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

Os freios eram de disco no eixo dianteiro, enquanto a traseira tinha tambores no primeiro caso, algo que eventualmente seria substituído por freios de disco nas quatro rodas após as primeiras 22.000 unidades produzidas.

Como vos disse no início, a apresentação teve lugar em 1962, especificamente no hipódromo de Monza, onde a variante T.I. (Turismo Internacional) foi lançada com um espírito desportivo. Depois disso, em 1963, e com o quadrifoglio pintado nas suas asas dianteiras, o T.I. Super foi lançado como modelo especial de homologação para iniciar os planos desportivos do salão.

O Super recebeu um segundo carburador duplo para permitir ao motor atingir 112 cv a 6.500 rpm e quase 140 Nm de binário máximo a 4.200 rpm. O peso foi reduzido para 910 quilos (o T.I. normal pesava 1.000), graças à eliminação de muitos elementos "supérfluos" e ao uso de vidros em policarbonato na janela traseira e nos vidros laterais das portas traseiras.

Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

Giulia T.I. Super

Os discos de freio foram incorporados ao eixo traseiro, e o carro foi comercializado em uma pequena série de 501 exemplares, um a mais do que o necessário para homologar o carro.

Em 1964 chegou a vers√£o "econ√īmica" do Giulia, com o lan√ßamento do Giulia 1300, com o mesmo motor que tinha sido usado at√© ent√£o no Giulietta T.I. (que desapareceu do mercado naquele ano), um motor de 1.290 cent√≠metros c√ļbicos com 78 cavalos de pot√™ncia a 6.000 rpm e 110 Nm de torque m√°ximo a 4.500 rpm. A frente perdeu os far√≥is duplos para se contentar com apenas dois, mas os quatro discos de freio foram retidos.


O √ļltimo passo na carreira do Giulia veio em 1965 com o lan√ßamento do Giulia Super. Esta pot√™ncia extra combinada gra√ßas √† utiliza√ß√£o de dois carburadores duplos, com 100 cv a 5.500 rpm e quase 140 Nm de bin√°rio m√°ximo a partir de apenas 2.900 rota√ß√Ķes, com uma velocidade m√°xima de 175 km/h, um peso de 990 quilos e grandes melhorias nos materiais, acabamentos e climatiza√ß√£o interior.

Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

Giulia Super

Com quase 125 mil unidades da Giulia Super produzidas, foi esta variante que alcançou o sucesso que a Alfa Romeo esperava do seu saloon.

Em 1966, apenas um ano depois, foi lançado o Giulia T.I. 1300, mais potente que o 1300 convencional, com 82 cv, para completar a gama. A partir daí e até o modelo ter cessado a produção, a Alfa Romeo actualizava o produto todos os anos com pequenas melhorias.

Assim, em 1967, o automóvel recebeu um profundo restyling, com uma nova grelha, novos isoladores sonoros que reduziram o ruído no habitáculo em 60%, limpa pára-brisas de duas velocidades e melhorias na entrega de potência em todos os motores.

A maior mudan√ßa de todas veio no √ļltimo per√≠odo da vida comercial do produto, entre 1974 e 1977, com a comercializa√ß√£o do Nuova Super, que suavizou os raios das dobras do corpo e incluiu um novo painel de instrumentos e novos assentos, entre outras modifica√ß√Ķes.

Alfa Romeo Giulia (1962-1979)

Nuova Super

No total, durante toda a sua vida comercial, de 1962 a 1978, cerca de um milh√£o de Giulias, entre todas as suas variantes, foram comercializadas globalmente, tornando-se um dos modelos de maior sucesso da empresa e consolidando a base de como seria um "premium and sporty" Alfa Romeo sedan.

A sucessão da Giulia teria dividido os caminhos. Por um lado, a Alfa Romeo 1750 nasceria primeiro, intimamente relacionada com a Giulia, que por sua vez daria origem à Alfetta, como segmento E, enquanto que no outro extremo, a Giulietta de 1977 estaria encarregada de cobrir o segmento que hoje seria o segmento D.

Mas a história de ambos é deixada para duas parcelas futuras. Entretanto deixo-vos esta Giulia resto-mod que apareceu há meses no Petrolicious.

O regresso de Alfa Romeo: do ano de 1900 à Giulia Alfa Romeo Giulia (1962-1979)
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