Audi ganha no Spa em frente a um Porsche em dificuldades

Mas o problema √© que quando voc√™ tira o dinheiro da televis√£o, voc√™ tem que criar um programa de massa. E um espet√°culo de massa n√£o pode ser t√©cnico, avan√ßado ou complicado. Tem de ser "espect√°culo por espect√°culo". √Č assim que voc√™ pode entender a luta perp√©tua entre as pessoas (riff-raff) do FOM, os lacaios, como eu digo, da Ecclestone, para transformar o campeonato de F√≥rmula 1 em uma esp√©cie de ta√ßa de uma s√≥ m√£o, enquanto marcas e equipes procuram manter algumas coisas t√©cnicas envolvidas, para mostrar que sua engenharia "√© melhor", ou pelo menos, eles t√™m mais dinheiro para gastar com isso.


E enquanto o modelo de F1 est√° se tornando obsoleto, onde os canais de TV n√£o est√£o mais dispostos a pagar o que Ecclestone e seu povo est√£o pedindo (o que a m√©dio prazo pode colocar o campeonato em d√ļvida), a realidade √© que pouco a pouco o campeonato mundial de enduro est√° consumindo relev√Ęncia e espa√ßo.

N√£o por causa de um p√ļblico milion√°rio. N√£o por causa da distribui√ß√£o dos direitos televisivos. A beleza do CME √© que √© um campeonato que gira em torno do ACO e Le Mans, e onde as marcas concorrentes j√° s√£o respons√°veis por si mesmas (com maior ou menor sucesso) pela divulga√ß√£o de sua participa√ß√£o e sucessos. Assim, os organizadores n√£o t√™m a press√£o de ter de desenvolver um campeonato tecnicamente r√≠gido em busca de competitividade artificial.

Audi ganha no Spa em frente a um Porsche em dificuldades

Spa nos deixou uma corrida de poder a poder onde a Audi repetiu a vitória pela segunda vez na temporada, por uma pequena margem sobre o muito rápido Porsche.

Sob uma simples máxima de controle de energia (volume de combustível utilizado no final), o ACO criou um campeonato onde os fabricantes se sentem particularmente confortáveis, e onde o show é servido.


Sem chegar ainda ao evento principal do calend√°rio deste ano, j√° vimos a corrida de Spa, onde Porsche e Audi correram com a configura√ß√£o aerodin√Ęmica de Le Mans, e onde vimos uma corrida com lutas de pot√™ncia em pot√™ncia, uma antecipa√ß√£o do que teremos na Fran√ßa no pr√≥ximo m√™s.

A Porsche estreia este ano um 919 que, embora se pareça muito com o carro do ano passado, é praticamente um carro novo de dentro para fora, com um chassis de uma peça completamente novo, um motor completamente revisto e um novo sistema híbrido com novas baterias A123 Systems, que lhe permitem jogar na categoria de recuperação máxima e entrega de energia por volta (8 MJ).

O fato é que o Porsche, em uma volta, foi mais rápido que Audi e Toyota. A prova prometia muito nesse sentido, mas a volta a volta mostrou a típica realidade do enduro. O R18 e-tron tem uma velocidade média de volta superior ao longo das manobras. O R18 cuida melhor dos seus pneus, como demonstra o facto de que, quando o tempo médio dos duplos stints feitos com cada conjunto de pneus era mais rápido do que o Porsche.

Os 919s foram melhores assim que mudaram os pneus, mas depois o seu ritmo baixou. Além disso, o R18 parecia marginalmente mais eficiente no consumo de combustível, embora pareça que com a Porsche a jogar com os 8MJ, há uma vantagem para Stuttgart sobre Ingolstadt.

Audi ganha no Spa em frente a um Porsche em dificuldades

No final, vit√≥ria para o R18 n√ļmero 7, conduzido magistralmente por Andre Lotterer (que chegou ao circuito dirigindo seu belo quattro vermelho do Audi), Benoit Treluyer e Marcel Fassler, com apenas 13 segundos de vantagem sobre o 919 de Marc Lieb, Romain Dumas e Neel Jani. O que √© realmente importante? Bem, vimos dois carros que tecnicamente n√£o t√™m nada a ver um com o outro, lutando num thriller emocionante, cheio de tens√£o, estrat√©gia e desejo, que prendeu os telespectadores que realmente queriam ver o carro correndo. √Č claro que aos olhos de uma massa de espectadores, o CME √© muito complexo, mas estas corridas valem mais, onde o "verdadeiro" f√£ pode desfrutar, e as marcas podem se gabar e fazer "valor e imagem de marca", ao inv√©s de um estranho campeonato, adulterado, projetado para agradar "todos" e que no final "deixa todos insatisfeitos". Poupe-se a isso, Sr. Ecclestone.


A chave final da vit√≥ria esteve no facto de na √ļltima paragem, na recta final da prova, o Audi #7 tamb√©m ter sido marcado um terceiro stint com os pneus j√° ligados, o que lhe permitiu manter a vantagem do tempo com o Porsche.


Audi ganha no Spa em frente a um Porsche em dificuldades

Le Mans √© apresentado com muitas d√ļvidas, mas parece que a Audi tem para si a gest√£o do consumo de pneus, a velocidade Porsche numa volta e a Toyota demasiados problemas para aspirar √† vit√≥ria.

Entretanto, Toyota teve um fim de semana horr√≠vel, com Nakajima rachando suas v√©rtebras na pr√°tica, e com um TS040 que est√° sofrendo muito. Embora seja verdade que eles ainda n√£o mostraram todas as suas cartas, funcionando com uma configura√ß√£o aerodin√Ęmica de downforce mais alta, ao inv√©s da de Le Mans. A verdade √© que o resto dos concorrentes melhoraram muito os seus carros, e a Toyota parece ter ficado para tr√°s.

Seja como for, Le Mans continua a ser uma quantidade desconhecida. Parece que vamos ver o enredo familiar da Audi a jogar com estratégia e um carro rápido e consistente, enquanto a Porsche joga com um carro um pouco mais rápido mas mais destrutivo com as rodas. A chuva será um fator vital aqui, pois será o que marcará se a Audi puder aproveitar seu ritmo de consumo de pneus, ou se a Porsche tiver a opção de liquidá-lo. A Toyota terá um truque na manga? Esperemos que sim...

Em todo o caso, Le Mans 2015 parece emocionante.

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